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  • Foto do escritorCamila Polese

Como ajudar meu filho na escolha profissional?


Escolher uma profissão ao terminar o Ensino Médio é tarefa cruel para o adolescente. Não se trata apenas de escolher um curso, mas também de pensar sobre o que querem e não querem de suas vidas. Envolve a elaboração do luto da infância que estão deixando para trás, bem como a idealização da vida adulta, que é povoada por fantasias, medos e desejos.


E os adultos que o acompanham, acabam sofrendo junto. Seja pelo filho apático que parece desinteressado em tudo ou seja pelo filho cheio de ambições profissionais, porém sem grandes preocupações com a realidade. Frases ditas pelos pais como “Por que não faz tal curso, que é a sua cara?”, “Mas como você vai se sustentar com isso?” ou “Faz o que quiser” podem ser bem intencionadas, mas será que ajudam?


Dizer que tal curso é a cara dele e incentivá-lo a isso, por melhor que sejam as intenções, parte de um ponto: você, seu desejo e sua visão sobre ele. Questionar se ele será capaz de se sustentar com isso, pode ser uma preocupação legítima, mas sugere desconfiança na capacidade e inteligência dele, sem oferecer um suporte de contrapartida. Dizer apenas que ele pode fazer o que quiser é uma liberdade grande. Tão grande que assusta e pode desamparar, visto que as opções são inúmeras e escolher é uma tarefa angustiante.


O que falta em todos esses cenários citados? A escuta. A principal resposta para a pergunta do título não está em conselhos elaborados e testes vocacionais modernos, mas sim na genuína capacidade de escutar.


Como o psicanalista Christian Dunker diz: “Para escutar é preciso entrar no mundo do outro como um antropólogo entra em outra cultura: leia, aprenda, prepare-se, depois dispa-se de seu etnocentrismo (adultocentrismo) [...] Escutar é sinônimo de conversa longa, complexa, difícil e perigosa”.

Para receber o que seu filho diz, é preciso valorizar sua palavra, sua opinião e seu ponto de vista. É correr o risco de ouvir coisas difíceis. É principalmente respeitá-lo enquanto indivíduo que é único e terá um caminho diferente do seu. Caminho este impossível de prever e evitar que hajam conflitos, erros e decepções.


É a partir dessa escuta, que se trata de receber abertamente algo, e não apenas de ouvir, que é possível dar o primeiro passo para ajudá-lo nesta difícil etapa da adolescência. Ao escutar, incentive-o a investigar, a intuir e arriscar. Não o recrimine por suas fantasias e desejos.


Ajude-o a pensar em aspectos que ele pode não estar atento sobre determinados caminhos e profissões. A se imaginar em determinados contextos, a pesquisar a fundo para verificar se seus sonhos são compatíveis com o que há na realidade, a entender que critérios são importantes para ele em uma escolha profissional, ou o que está o impedindo de fazer esta escolha.


Abrir um campo de diálogo com um filho adolescente não é tarefa fácil, principalmente se isto não é um hábito no lar. Porém, o exercício da escuta e a capacidade de separar o que é seu e o que é do seu filho, é fundamental para qualquer momento desta relação.


Nos casos mais difíceis, há sempre a possibilidade de pedir ajuda à um profissional. Incentivar o adolescente a investir em seu autoconhecimento e fortalecer sua segurança para fazer uma escolha esclarecida é um presente para a vida toda.



 

Referência: "A revolução da escuta em tempos de ensurdecimento" - Entrevista com Christian Dunker de julho/2019 (via: https://www.huffpostbrasil.com/entry/escuta-poder_br_5d3b8de9e4b0c31569eaecbd)

Foto: @ladinofotograph

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